
Vanderlei de Lima é autor do livro Psicopatas: Quem são? Como agem? Que fazer com eles? (Ed. Benedictus).
A resposta à pergunta que dá título a este artigo é positiva. Todavia, diga-se, logo de início que o seu modo de agir (modus operandi) é muito diferente do homem psicopata.
Sim, embora existam relatos de mulheres que cometeram crimes cruéis, o mais comum, de acordo com a Dra. Hilda Morana, psiquiatra forense, é que elas ajam, de uma forma assaz habilidosa, estimulando algum homem (marido, amante, filho etc.) a praticar o crime para elas. Um exemplo tristemente clássico é o de Suzane von Richthofen. Em 2002, ela articulou – de modo muito primário, aliás –, por dois meses, a morte dos pais, mas não os matou. Convenceu o namorado e o irmão dele a cometerem o homicídio para ela (cf. Ana Beatriz Barbosa Silva. Mentes Perigosas. São Paulo: Principium, 2018, pp. 152-155).
Com efeito, enquanto o homicídio é uma das grandes causas da condenação dos homens à prisão, entre as mulheres este crime totaliza apenas 10%. “‘Historicamente, ela participa mais como indutora, instigadora, do que propriamente como executora’, diz a criminóloga Ana Paula Zomer, diretora do IBCCrim (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais)” (Hilda Morana. Sobre psicopatia. São Paulo: Sparta, 2024, p. 35). Todavia, dentre os assassinatos em série nos Estados Unidos, as mulheres somam 17% do total de serial killers. “Em média, as serial killers usam para matar o envenenamento (52%), a asfixia (7%) e arma de fogo (7%). A maioria das vítimas eram do relacionamento das serial killers. Neste estudo, 43,8% mataram seus filhos biológicos; 29,7% mataram seus maridos ou homens com quem se relacionavam. Os motivos de seus crimes eram por dinheiro, poder, vingança e mesmo por notoriedade e excitação. Há evidências de personalidade disfuncional com características de manipulação, mentiras e insinceridade” (idem, p. 37).
Ainda: Essas mulheres podem colocar o marido, namorado ou amante em enrascadas feias com a Justiça. Dizem que ele a agrediu, abusou sexualmente do seu filho, a roubou, ameaçou etc. E apresentam provas – forjadas, é claro –, do que falam. Existem, ainda de acordo com a Dra. Hilda Morana, “vários casos de mães que se separam e quando
ficam sabendo que seu ex está com outra mulher, ela o acusa de molestar sexualmente o filho nas visitas quinzenais ao pai. Elas fazem um processo de abuso sexual de menor ocasionado pelo pai dizendo que a criança chegou em casa com o bumbum vermelho, dizendo que o pai pôs o pipi no bumbum. Imediatamente qualquer juiz suspende a visita do pai que apenas vê seu filho no visitório público junto com outras crianças e na presença de uma assistente social. De 100 caso em que eu fiz a perícia de mães que alegaram abuso sexual do pai nas visitas quinzenais, apenas um era verdadeiro” (ibidem, p. 19). Note-se o poder maldoso de manipular que elas têm.
Concluamos com um fato: Em março de 2007, Sílvia Calabrese Lima, empresária da construção civil, foi presa, em Goiânia, acusada de maltratar e torturar de modo muito cruel (acorrentar, quebrar os dedos, arrancar as unhas, amordaçar, obrigar a ingerir fezes de animais etc.) uma menina de 12 anos que morava com ela. Presa, disse friamente, mas com razão: “Eu não sou louca” (Mentes perigosas, 2018, p. 148).
Como é bastante comum nestes casos, a carrasca afirmou que sofreu muito na infância. Todavia, isto não justifica a sua maldade inata. “Para o psiquiatra forense Guido Palomba, pessoas como Sílvia costumam alegar que receberam maus-tratos na infância, mas não é verdade. ‘São pessoas de natureza deformada. Elas também não têm nenhum arrependimento’” (idem). Em outras palavras, quem teve uma infância ou adolescência sofrida pode até desenvolver – especialmente se já tiver uma propensão genética para tal – algum transtorno psíquico (doença mental), mas nunca a psicopatia (defeito de caráter).
Muita atenção!
Por: Vanderlei de Lima é autor do livro Psicopatas: Quem são? Como agem? Que fazer com eles? (Ed. Benedictus).
Quer ficar ligado de tudo oque rola em Casa Branca e região? Siga o perfil do Jornal Gazeta de Casa Branca no Instagram e no Facebook