CLIQUE PARA OUVIR
Agora ao Vivo
MUSICA E INFORMAÇÃO
BAIXE NOSSO APLICATIVO:

Artigo da Semana: Psicopatas e crime organizado

Por: Vanderlei de Lima é autor do livro Psicopatas: Quem são? Como agem? Que fazer com eles? (Ed. Benedictus).
schedule sexta, 23/01/2026 as 16:02

Uma matéria de  Camila Zarur, Paula Martini, Jessica Alexandra e Rafael Rosas, que saiu no Valor Econômico, on-line, de 22/12/2025, com o título “Presídios são berço e motor de facções criminosas no Brasil”, demonstra a astúcia do crime organizado e o atraso do Estado em combatê-lo eficazmente.

            A reportagem demonstra, em suma, que as facções criminosos brasileiras têm os presídios como seu nascedouro e grande motor mantenedor. E vai além: ao criar presídios de “segurança máxima”, o governo federal, longe de conter o avanço alarmante do crime organizado, ajudou a difundi-lo: “Um dos fatores para a expansão do crime organizado foi a transferência de presos de uma unidade carcerária a outra. Em vez de isolar os criminosos, esse traslado permitiu que eles ampliassem suas redes de contato e influência. Nesse sentido, a construção dos presídios federais, em 2006, também favoreceu esse avanço”.

            No meu modesto entender, no entanto, o principal foco da reportagem está neste parágrafo: “Nesse cenário, as lideranças não só aliciam os outros detentos, presos por crimes muitas vezes de menor potencial, como também continuam comandando as atividades criminosas das facções fora dos muros da prisão”. Por quê? – Porque aqui entra um ponto essencial que a extensa matéria não trata: a ação dos psicopatas sobre os demais presos comuns. Algo que o Estado, por ignorância ou má-fé (só Deus pode julgar), parece não fazer caso.

            Trata-se, em poucas palavras, do seguinte: a extensa maioria dos integrantes do sistema carcerário é de criminosos comuns. Portanto recuperáveis. Todavia, não se recuperam, em grande parte, por serem cooptados pelos líderes de facções criminosas. São os chamados pela Dra. Hilda Morana – afamada psiquiatra forense e a maior especialista em psicopatia no Brasil – de psicopatas organizados interrogados, dado que, embora tais líderes nunca tenham, em nenhuma parte do mundo, sido examinados por especialistas, sua crueldade e seu poder de dominação os inclui, com segurança, no rol dos psicopatas. Se houvesse cadeia própria para eles, ficariam isolados e a ampla rede de cooptação do crime organizado, dentro dos estabelecimentos prisionais, perderia muito (mas muito mesmo) da sua força. Com a mescla de psicopatas e criminosos comuns não há alternativa senão esta que vemos a cada dia: o fortalecimento do crime organizado. Brota, aqui, uma questão crucial: Por que o Estado e parte da sociedade civil insiste em não enxergar esta realidade gritante? Quem realmente lucra com tudo isso?

            O Dr. Robert Hare, criador da Escala Hare, instrumento seguro para a detecção de psicopatas, traz um dado que deveria levar as autoridades à reflexão: nos Estados Unidos, os psicopatas chegam a 20% da população carcerária. Não parece muito. Todavia, o pior vem agora: eles são responsáveis por 50% dos crimes mais bárbaros registrados. Se o (a) prezado(a) leitor(a) pensou que a coisa para por aí, enganou-se, pois, uma vez deixando a cadeia (ou mesmo dentro dela), são responsáveis por 80% de reincidências em crimes violentos. Logo, a melhor solução é a sua separação da sociedade, em cadeias próprias apenas para psicopatas (frise-se bem), até que cesse a sua altíssima periculosidade. Ao ser aventada sua saída, ele seria examinado por psiquiatras forenses que entendam de psicopatia. Do contrário, os examinadores poderiam ser muito facilmente enganados pelo detento psicopata. Este é um ator por excelência.

            Dito isto, tudo o que é feito para tentar barrar o avanço do crime organizado (fim das saidinhas, aumento de penas para certos crimes, asfixia financeira etc.) pode ajudar, mas, sem cadeias próprias apenas para psicopatas, são meros paliativos. Enfim, enquanto o Estado fica na mesmice, o crime organizado avança. E com força brutal...

 

            Por: Vanderlei de Lima é autor do livro Psicopatas: Quem são? Como agem? Que fazer com eles? (Ed. Benedictus).

Compartilhe:
Facebook Twitter Whatsapp

Quer ficar ligado de tudo oque rola em Casa Branca e região? Siga o perfil do Jornal Gazeta de Casa Branca no Instagram e no Facebook

Notícias + Acessadas

Polícia

Esporte

Saúde

© 2026 Gazeta de Casa Branca Política de Privacidade - Termos de Uso. Todos os direitos reservados. Desenvolvimento Uniplay Brasil
Cookies: a gente guarda estatísticas de visitas para melhorar sua experiência de navegação, saiba mais em nossa política de privacidade .