
Por: Vanderlei de Lima é eremita de Charles de Foucauld.
O Tríduo Pascal constitui o ápice de todo o ano litúrgico e a fonte de onde emana a vida da Igreja, não sendo apenas uma preparação para a Páscoa, mas a celebração da própria Páscoa de Cristo em suas diversas dimensões.
Tem início na noite da Quinta-feira Santa e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição, formando uma unidade indivisível do mistério da redenção. Vejamos, ainda que brevemente, cada um dos dias que compõem o referido Tríduo.
Na Quinta-feira Santa, a Igreja mergulha no Cenáculo para a Missa da Ceia do Senhor, celebração que abre o Tríduo com uma densidade teológica sem igual. Neste dia, comemora-se a instituição da Eucaristia, o Sacramento da Caridade, e do Sacerdócio Ministerial, pelos quais o sacrifício do Calvário se torna perenemente presente. O rito do Lava-pés, realizado após a homilia, não é mera encenação histórica, mas a expressão máxima do mandamento novo deixado por Cristo: o serviço humilde como marca distintiva do cristão (cf. Jo 13,12-17). Note-se que a celebração não possui uma bênção final; após a comunhão, o Santíssimo Sacramento é transladado, em procissão solene, para um altar repositório, simbolizando a agonia de Jesus no Getsêmani. O altar é desnudado e os fiéis são convidados à adoração silenciosa, acompanhando o Senhor em sua vigília de dor.
Na Sexta-feira Santa, a Igreja não celebra a Eucaristia, mas se une ao seu Esposo no sacrifício da Cruz. É um dia de silêncio absoluto, jejum e abstinência. A Celebração da Paixão do Senhor ocorre tradicionalmente às três horas da tarde, hora em que Cristo expirou (cf. Lc 23,44-46, por exemplo). A liturgia inicia-se com a prostração do celebrante, gesto de suprema humildade e dor diante da morte do Salvador. A Liturgia da Palavra culmina com a proclamação da Paixão segundo São João, que apresenta Jesus como o Rei a subir ao trono da Cruz. Segue-se a Adoração da Santa Cruz, onde cada fiel é convidado a venerar o madeiro no qual pendeu a salvação do mundo, reconhecendo no sofrimento de Cristo a vitória sobre o pecado. A Oração Universal deste dia é a mais abrangente da Igreja, suplicando por todas as necessidades da humanidade aos pés do Redentor. Após a distribuição da Comunhão com as hóstias consagradas na noite anterior, a assembleia se retira em silêncio, contemplando o sepultamento de Jesus e iniciando o grande silêncio do Sábado Santo. Também não há bênção final.
O Sábado Santo é o dia do repouso de Deus no sepulcro, um dia de espera orante junto à Virgem Maria. A Igreja permanece em silêncio, meditando sobre a descida de Cristo à mansão dos mortos para libertar os justos. Não há missa nem ritos até o cair da noite, quando se inicia a Vigília Pascal, a mãe de todas as santas vigílias. Esta celebração esplendorosa começa com a Liturgia da Luz, onde o fogo novo é abençoado e o Círio Pascal é aceso, simbolizando Cristo Ressuscitado que dissipa as trevas do erro e do pecado. O canto do Precônio Pascal anuncia a alegria da ressurreição. A Liturgia da Palavra percorre a história da salvação através de leituras do Antigo e do Novo Testamento, culminando no Aleluia solene e no Evangelho da Ressurreição.
Ocorre então a Liturgia Batismal, onde os novos catecúmenos são inseridos no Mistério Pascal e toda a assembleia renova suas promessas do Batismo, sendo aspergida com a água nova. Finalmente, a Liturgia Eucarística celebra o encontro definitivo com o Ressuscitado sob as espécies do pão e do vinho. A Vigília Pascal não apenas encerra o Tríduo, mas inaugura o tempo da alegria (que perdurará ao longo do período pascal e será vivenciado, de modo especial, a cada domingo do ano) afirmando que a morte foi vencida e que a vida plena é oferecida a todo aquele que crê. Aqui, sim, o fiel recebe a bênção final solene.
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Por: Vanderlei de Lima é eremita de Charles de Foucauld.
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