
Por: Vanderlei de Lima é eremita de Charles de Foucauld
Há alguns meses, Dom Georg Gänswein, ex-secretário pessoal do Papa Bento XVI e atual núncio apostólico na Lituânia, Estônia e Letônia, anunciou que, em breve, poderá ser aberto o Processo de Canonização do Pontífice. Tal notícia nos anima ainda mais a ler alguns trechos de suas belíssimas reflexões sobre a Páscoa do Senhor.
Em 2009, à luz de Paulo, em 1Cor 5,8, o Papa nos convidava: “Amados irmãos e irmãs, acolhamos o convite do Apóstolo; abramos o espírito a Cristo morto e ressuscitado para que nos renove, para que elimine do nosso coração o veneno do pecado e da morte e nele infunda a seiva vital do Espírito Santo: a vida divina e eterna. Na Sequência Pascal, como que respondendo às palavras do Apóstolo, cantamos: Scimus Christum surrexisse a mortuis vere – sabemos que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos. Sim! Isto é precisamente o núcleo fundamental da nossa profissão de fé; é o grito de vitória que hoje nos une a todos. E se Jesus ressuscitou e, por conseguinte, está vivo, quem poderá separar-nos d’Ele? Quem poderá privar-nos do seu amor, que venceu o ódio e derrotou a morte?
O anúncio da Páscoa propaga-se pelo mundo com o cântico jubiloso do Aleluia. Cantemo-lo com os lábios; cantemo-lo sobretudo com o coração e com a vida: com um estilo ‘ázimo’ de vida, isto é, simples, humilde e fecundo de obras boas. Surrexit Christus spes mea: / precedet vos in Galileam – ressuscitou Cristo, minha esperança / precede-vos na Galileia. O Ressuscitado precede-nos e acompanha-nos pelas estradas do mundo. É Ele a nossa esperança, é Ele a verdadeira paz do mundo. Amém” (Homilia, 12/04/2009, on-line).
Em 2012, recordando Gn 1,3, o Pontífice medita sobre a criação de tudo, no início dos tempos, e a recriação do homem, na ressurreição do Senhor: “Na Páscoa, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Deus disse novamente: ‘Faça-se a luz!’. Antes tinham vindo a noite do Monte das Oliveiras, o eclipse solar da paixão e morte de Jesus, a noite do sepulcro. Mas, agora, é de novo o primeiro dia; a criação recomeça inteiramente nova. ‘Faça-se a luz!’: disse Deus. ‘E a luz foi feita’. Jesus ressuscita do sepulcro. A vida é mais forte que a morte. O bem é mais forte que o mal. O amor é mais forte que o ódio. A verdade é mais forte que a mentira. A escuridão dos dias anteriores dissipou-se no momento em que Jesus ressuscita do sepulcro e Se torna, Ele mesmo, pura luz de Deus. Isto, porém, não se refere somente a Ele, nem se refere apenas à escuridão daqueles dias. Com a ressurreição de Jesus, a própria luz é novamente criada. Ele atrai-nos a todos, levando-nos atrás de Si para a nova vida da ressurreição e vence toda a forma de escuridão. Ele é o novo dia de Deus, que vale para todos nós” (Homilia, 07/04/2012, on-line).
Em 2006, o Santo Padre Bento XVI relembra que se Cristo ressuscitou, também nós, n’Ele, ressuscitaremos: “‘Eu vivo, e vós vivereis’ – diz Jesus no Evangelho de João (14,19) aos seus discípulos, isto é, a nós. Viveremos através da comunhão existencial com Ele, através do estar inseridos n’Ele que é a própria vida. A vida eterna, a bem-aventurada imortalidade, não a possuímos por nós mesmos nem a temos em nós mesmos, mas ao invés por meio de uma relação – por meio da comunhão existencial com Aquele que é a Verdade e o Amor e, consequentemente, é eterno, é o próprio Deus. A mera indestrutibilidade da alma não poderia por si só dar um sentido a uma vida eterna, não poderia torná-la uma vida verdadeira. A vida vem-nos de ser amados por Aquele que é a Vida; vem-nos de viver com Ele e de amar com Ele. ‘Eu, mas já não eu’: é este o caminho da cruz, o caminho que ‘cruza’ uma existência fechada apenas no eu, abrindo assim precisamente a estrada para a alegria verdadeira e duradoura” (Homilia, 15/04/2006, on-line).
Santo tempo pascal!
Vanderlei de Lima é eremita de Charles de Foucauld
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