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ARTIGO DA SEMANA: Monaquismo antigo em livros

Por: Vanderlei de Lima é eremita de Charles de Foucauld
schedule sexta, 08/05/2026 as 15:37

O monaquismo cristão antigo tem ricas obras que muito podem, sem dúvida, ajudar a cada pessoa de boa vontade nos dias de hoje. Eis porque a Editora Benedictus vem publicando, aos poucos, em sete volumes, a coleção Monaquismo antigo. Levemo-la ao conhecimento dos leitores.

            O volume I intitula-se Vida e obras de Santo Antão. Está, como se nota pelo título, dividida em duas partes. A primeira é a clássica vida do grande eremita do século IV que, escrita por Santo Atanásio, bispo de Alexandria e doutor da Igreja, muito influenciou o florescimento do monaquismo nos séculos subsequentes. Mais do que ardoroso inimigo do demônio, contra o qual travava embates intensos, Antão dá exemplo de como deve viver o eremita. Na segunda parte, vêm as Cartas atribuídas ao santo e seus Apoftegmas (breves sentenças ricas de ensinamentos práticos). Tem-se, assim, em um só volume, a obra completa de Santo Antão.

            O segundo livro, escrito por São Jerônimo, também doutor da Igreja e chamado, a justo título, de “príncipe dos tradutores”, por ter-nos legado a famosa versão da Sagrada Escritura conhecida como Vulgata, reúne breves escritos de Jerônimo a contar a vida de três santos monges: São Paulo de Tebas, modelo de vida monástica, São Malco, guardião da castidade mesmo em situações adversas, e Santo Hilarião, um homem de grandes proezas. Eis a Vida de São Paulo de Tebas, São Malco e Santo Hilarião.

            A obra III da coleção é pouco conhecida, mas assaz importante. Trata-se de uma apologia que São João Crisóstomo, outro brilhante doutor da Igreja, elabora Contra os impugnadores da vida monástica. Debate com pais pagãos ou cristãos que se opunham à entrada de seus filhos nos mosteiros. Age à moda de advogado do monaquismo. Tal livro serve, se bem usado, como defesa da vida consagrada em geral até os nossos dias. No IV volume, temos o famoso (e também, ao menos por um longo tempo, controverso) Evágrio Pôntico com duas obras suas: Tratado prático ou O Monge e As bases da vida monástica. No mesmo tomo, está Dom Estêvão Bettencourt, OSB, monge beneditino e afamado teólogo brasileiro, com Solidão, Silêncio e Contemplação. Merece destaque!

            O V livro é clássico, embora há tempos desaparecido das livrarias. Trata-se da História Lausíaca, de São Paládio. Um trabalho alentado no qual o monge reúne, por meio de curtos relatos, grandes exemplos da vida monástica que conheceu nos desertos. São os pais e mães do monaquismo primitivo que aí nos ensinam por meio da pena de Paládio. Pode ser considerado um monumento da vasta literatura monástica. O volume VI traz a Vida de Santo Agostinho de Hipona, como foi escrita por São Possídio, seu discípulo próximo, e a Regra de Santo Agostinho, de autoria do bispo de Hipona, mas ricamente comentada pelo frei Tarcísio van Bavel, OSA, um dos maiores estudiosos do santo no século XX. Inédita no Brasil, a obra ajudará os leitores a melhor entenderem o Papa Leão XIV, que é agostiniano, e seu pensamento.

            Por fim, o volume VII contém também duas obras em uma só: a Vida de São Martinho de Tours, conforme escrita por São Sulpício Severo, e a Vida Monástica, elaborada por Dom Estêvão Bettencourt, OSB. Esta serve de ponte entre o monaquismo antigo (a princípio, eremítico) e o beneditino (cenobítico), a predominar no Ocidente.

            Cada tomo desse trabalho – traduzido e/ou organizado por nós, editado por  Gilcemar Hohemberger e revisado por Thamara Rissoni – traz um longo prefácio de Dom Orani João Tempesta, O. Cist., Cardeal arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro. Diz ele no final: “Só tenho, portanto, a louvar mais esta empreitada que fará grande bem a todo o Povo de Deus sedento de água viva (cf. Jo 4,14). Água viva que aqueles santos monges buscaram ontem e nós também continuamos, nas suas pegadas, a buscar hoje!”.

            Divulguemos!

 

            Por: Vanderlei de Lima é eremita de Charles de Foucauld

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