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ARTIGO DA SEMANA: Antropologia filosófica

Por: Vanderlei de Lima é eremita de Charles de Foucauld
schedule sexta, 31/07/2026 as 08:30

Eis o título da obra lançada este ano pela Cultor de Livros. Escrita pelo padre Francesco Russo, doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino (Angelicum), em Roma, e professor da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, também na Cidade Eterna, merece nossa atenção.

            Frise-se, antes do mais, que a Antropologia é o estudo do ser humano em todos os seus aspectos. Se acompanhada do adjetivo filosófica, significa que perscruta o homem à luz da razão; quando seguida do qualificativo teológica, quer dizer que analisa o homem à luz da revelação divina ou da fé. A obra que ora analisamos se insere na primeira categoria. Conheçamo-la, pois, a partir de três de seus trechos.

            De um escritor doutorado na instituição que leva o nome de São Tomás de Aquino († 1274) não se poderia esperar menos do que uma delimitação do tema do livro logo nas primeiras páginas da oportuna publicação a nos fazer grande bem: “Enquanto deixo para o primeiro capítulo os esclarecimentos mais amplos a respeito do conteúdo do livro, neste momento gostaria apenas de explicar que não afrontei de modo exaustivo todos os temas próprios da antropologia filosófica, mas segui um itinerário especulativo que parte de uma investigação sobre a noção adequada de pessoa, para mostrá-la como um vivente corpóreo-espiritual e dinâmico, livremente orientado a desempenhar a tarefa de ser ele mesmo, constitutivamente relacional, caracterizado pela cultura que ele mesmo contribui para criar, voltado para a busca de sentido e para a realização de valores, plenamente inserido em um ambiente a ser modelado e cuidado através do trabalho, marcado pela historicidade e pelo impulso a transcender o tempo” (p. 12).

            Em um tempo no qual se padece da falta do tão importante equilíbrio entre não poucos opostos, o autor enfrenta a dicotomia difusa entre o coletivismo – sobretudo marxista – e o individualismo, que se faz mormente presente no capitalismo selvagem, ao fechar, de modo muito sábio, o capítulo 5: “Podemos concluir que as concepções de tipo individualista e aquelas de tipo coletivista tomam em exame apenas um aspecto da verdade sobre a pessoa humana, mas perdem de vista a sua integralidade. Martin Buber põe o problema em foco com grande clareza: ‘Se o individualismo compreende apenas uma parte do homem, o coletivismo compreende o homem como apenas uma parte. Nem um nem outro avançam em direção à integralidade do homem em direção ao homem como totalidade. O individualismo considera o homem apenas no estado de relação consigo mesmo; o coletivismo não vê absolutamente o homem, vê apenas a ‘sociedade’. Num caso, o rosto do homem é deformado; no outro, é mascarado’” (pp. 121-122 com a citação original de Il problema dell’uomo. Turim: Elledici, 1990, p. 119).

            Magna importância deve ser atribuída ao amplo capítulo 2 (cf. pp. 25-54), coração da obra, a tratar da pessoa humana: “Infelizmente, fala-se com frequência sobre a pessoa humana sem esclarecer a sua noção, isto é, sem precisar, do ponto de vista conceitual, como e por que o indivíduo humano se distingue dos outros seres vivos. É, contudo, necessário buscar uma noção de pessoa humana que possa servir de base e de ponto de referência claro para enfrentar os problemas discutidos nos diversos campos da filosofia do direito, da psicologia, da pedagogia ou da sociologia. Como vimos no capítulo anterior, em qualquer ciência que se refere ao ser humano, é indispensável proceder a partir de uma concepção adequada da pessoa” (p. 26).

Tudo isto ponderando sempre o desejo de transcendência do ser humano em seu aspecto metafísico – bastante recordado –, da festa e do jogo (cf. pp. 166-170), bem como da busca de sentido com valores morais para a vida (cf. pp. 139-153).

            Só nos resta parabenizar o autor, o tradutor e a Editora!

 

            Por: Vanderlei de Lima é eremita de Charles de Foucauld

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